A Costureira de Dachau, de Mary Chamberlain

| 17 de janeiro de 2017 | 0 Comentários

A Costureira de DachauLondres, 1948. Ada Vaughn está encarcerada na prisão de Holloway, acusada de prostituição e assassinato. Quem é essa mulher? O que a levou a esse destino? Passado entre o glamour de Savoy e o desespero dos campos de concentração, A costureira de Dachau conta a história de uma mulher traída e abandonada que precisa sobreviver sozinha, contando apenas com a própria esperteza para sobreviver às tragédias da maior guerra que o mundo já enfrentou. Mas suas razões podem parecer suspeitas, e não há certeza de sua inocência… Será que uma simples costureira pode ter mais segredos do que se ousa imaginar?

Esse livro nos trás a história da personagem fictícia Ada Vaughan e se passa na Segunda Guerra Mundial. Ada era ajudante no ateliê da srta. B, mas sonhava em ir a Paris e abrir seu próprio negócio e eis que surge Stanislaus, um estrangeiro aparentemente decente e charmoso que a convidara para ir a Paris. Apaixonada como estava, Ada mentiu aos seus pais e a srta. B para ir a Paris, mesmo com a premissa de que uma guerra iria explodir.

O livro é muito bem escrito e embora seja de um tamanho considerável, não é maçante. Eu nunca fui muito chegada a livros cuja ambientação seja na Segunda Guerra Mundial e comecei a ler esse pensando que iria larga-lo, mas quando vi já estava na metade do livro. Eu praticamente o devorei.

Sobre os personagens: Ada é muito ingênua. Mesmo com o passar do tempo e as coisas que ela sofreu durante a guerra, ela continuou totalmente ingênua. A Ada é como aqueles personagens de filme de terror: quando escutam um barulho estranho, vão verificar, mesmo tendo em mente que a diversos rumores de que a casa é mal-assombrada – aí você fica pensando “nossa, mais burro impossível”. Somente no final do livro (bem no finalzinho mesmo) podemos ver que, apesar de tudo, ela se tornou uma mulher mais segura de si (mas já era tarde demais, então não adiantou muita coisa). Mas acho que a ingenuidade dela meio que motiva você a continuar lendo, só para saber se ela vai mudar e – como eu gosto de dizer – largar mão de ser trouxa.

O restante dos personagens são os que eu chamo de secundários, pois tem alguma contribuição no desenrolar da história. O livro tem pouquíssimos personagens “inúteis”. O interessante é que a autora conseguiu explorar muito bem cada personagem para que, no final, contribuísse com o desfecho de Ada, então não tenho muito a acrescentar.

A ambientação da história ficou sensacional. A autora conseguiu nos colocar dentro da guerra, fugindo de bombas, perdidos na multidão. Não encontrei nenhum defeito nesse quesito que mereça atenção. Talvez uma coisinha aqui, outra ali, mas nada muito grande.

E o final, la grande finale, the end. Tocante, completamente revoltante, quando vemos que no final, o que contou não foi a verdade, não foi a guerra de Ada, foi apenas o que pareceu conveniente aos olhos dos homens. Cara, isso me deixou muito chateada e fez com que esse livro se tornasse um dos poucos que arrancou miseras lágrimas de meus olhos.

Em suma, o livro é maravilhoso, embora não tenha o devido reconhecimento. É uma história muito profunda, você com certeza ficará com raiva de todos os personagens (exceto talvez o Thomas). Vale a pena lê-lo, super recomendo.

5/5

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Gabrielle

Gabi Gomes - amante de livros, da boa música e do bom café. Tímida, introvertida, introspectiva e derivados. Não, não sou antissocial, embora eu diga (só pra pararem de perguntar).

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Categoria: Ficção Histórica

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