A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo

| 1 de dezembro de 2016 | 0 Comentários

a-moreninhaO tão famoso clássico da literatura “A moreninha” é por muitos considerado o percursor do romantismo em prosa no Brasil. Escrita em 1844, por Joaquim Manuel de Macedo, e publicada em folhetins de jornais da época, a obra ainda hoje encanta os jovens corações sonhadores com seu enredo dinâmico, alegre e, claro, cheio de romance.
A história é narrada e vivida por Augusto, um belo e galante estudante de medicina. Tem coração inconstante, que ama intensamente as belezas de cada mulher. Esse amor, no entanto, não dura mais que 15 dias. Tal atitude pode ser justificada de duas formas: a primeira, que expunha a todos, defendia que toda mulher é dotada de encantos que lhes são únicos, e todos devem ser admirados do mesmo modo. A segunda, se devia ás feridas de uma traição adolescente. Nenhuma delas, porém, era o verdadeiro motivo para essa inconstância incurável: Augusto guardava um segredo, que nunca teve coragem de contar a ninguém.
O romance tem início em uma divertida roda de amigos, onde justamente discutia-se a inconstância de Augusto. Felipe, um dos ilustres estudantes, convidou a todos para passar o feriado de Sant’Ana em uma bucólica ilha, onde haveriam ótimas comemorações abrilhantadas com a presença de lindas damas, que certamente conquistariam até mesmo o furtivo coração de Augusto. Este continuou a insistir em seu irreparável jeito de ser, e assim foi-se a discussão até lançar-se o desafio: Se, na ilha de Paquetá, alguma das moças o fizesse amar por mais de 15 dias, Augusto teria que escrever-lhe um romance!
A ilha do Rio de Janeiro abrigava, além de belas paisagens, uma antiga lenda de amor indígena e os encantos de uma jovem: Carolina, a bela e levada irmã de Felipe. Dotada de longas tranças negras e admirável esperteza, a criança traquina tornava tudo mais alegre e festivo com suas travessuras sem limites. Augusto chegou a dizê-la feia e muito levada…, mas a encantadora menina sabia como conquistar a simpatia de todos. Carolina, assim como Augusto, guardava um antigo segredo…
Paquetá se torna palco de festas refinadas, divertidas, repletas de interessantes travessuras e curiosos convidados que se envolvem em romances, brigas, mexericos e várias dessas situações inusitadas que acontecem quando estudantes tão jovens se juntam em uma festa. Claro que a história vai muito além da descrição de simples atos burgueses, mas deve-se preservá-los um mistério para não prejudicar as surpresas que há nesta obra.
“A moreninha” é e sempre será um eterno sucesso literário. As palavras bem trabalhadas e a apaixonante personalidade de Augusto conquistam de imediato o coração do leitor. Mais que romance, essa história traz muitos aspectos divertidos desses jovens personagens que, apesar de nos levarem a viajar em uma atmosfera clássica do século XIX, também tem em comum com a juventude contemporânea. Cada personagem é interessante a seu modo, e os protagonistas em especial, são intrigantes e peculiares comparados ao que se espera de uma obra romântica.
Além disso, o enredo, em sua maioria, não é previsível nem clichê. A maior parte a história corre de maneira inusitada e dinâmica, em um ritmo agradável que convida o leitor a ler a próxima página. Apenas o final que, como em um clássico romance, é previsível, dramático e feliz.
Ainda assim, essa primeira encantadora e ingênua obra de Joaquim Manuel de Macedo é merecedora de todo o sucesso que lhe é atribuído. Além desta, Macedo é autor de outros 10 romances, além de comédias, sátiras políticas, dramas e poesia.
Nascido em 24 de junho de 1820, em Itaboraí (RJ), Joaquim Macedo formou-se em medicina em 1844, mas ocupou-se mais como político, professor, redator e escritor. Chegou, inclusive, a exercer cargos no império, como primeiro-secretário e tutor dos filhos da Princesa Isabel, e a fundar junto com Gonçalves Dias e Araújo Porto-Alegre (outros grandes nomes do romantismo brasileiro) uma revista chamada Guanabara. Macedo faleceu no dia 11 de abril de 1882, aos 62 anos.
Nas diversas e brilhantes obras que Joaquim Macedo deixou, é possível perceber a boa índole do autor. Nas palavras de Antonio Candido, “Se já houve quem dissesse que o mal é necessário, para Macedo ele é apenas passageiro. (…) em sua obra tudo se resolve, explica e perdoa. (…) A maldade é provisória, o bem, definitivo: eis a moral de seus livros”.

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Thaís Gouveia

Bom, não tenho muito o que falar de mim (quando se trata da minha própria vida, me faltam palavras), mas o que posso dizer é que sou estudante do 2º ano do ensino médio, atriz amadora, nerd e amo ler e escrever (mas principalmente ler, porque meu perfeccionismo me deixa autocritica demais para acabar o que escrevo). Gosto de ler principalmente histórias de suspense, aventura, fantasia e literatura (brasileira na maioria das vezes).

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Categoria: +Autor, Literatura Clássica, Literatura Nacional, Romance

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