A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath

| 5 de fevereiro de 2017 | 0 Comentários

Sylvia Plath nasceu em 27 de Outubro de 1932, no estado de Massachusets, nos Estados Unidos. Sua existência prolongou-se somente até 11 de Fevereiro de 1963. Nesse breve intervalo de tempo, ela se consolidou como uma das maiores poetisas norte-amerucanas, ocupando-se também da escrita de romances e contos. E entre esses gêneros, sua obra mais aclamada é “A redoma de Vidro”.

O livro foi escrito no último ano de vida da autora, e é classificado como um romance autobiográfico. Assim, o leitor acompanha a trajetória de Esther Greenwood – uma jovem de 19 anos vinda de um subúrbio próximo a Boston. Graças a um histórico de notas exemplar, ela é selecionada para um programa de bolsas de estudo, que lhe permite cursar Inglês em uma universidade na baladada cidade de Nova York – sendo que grande parte dos fatos assemelha-se à vida da poetisa.

No entanto, “A Redoma de Vidro” não teria passado para a posteridade com uma fama tão marcante caso narrasse apenas as situações expetimentadas por uma universitária na cidade grande. Seu enredo é, na verdade, grandioso por caminhar entre estradas que, em meados do século passado, eram, no mínimo, consideradas tabus, como o tratamento de doenças psicossomáticas e o debate de valires feministas em contraposição ao que as alas sociais conservadoras esperavam de uma mulher: casamento, muitos filhos e o abandono de qualquer evolução profissional em prol da realização exclusiva de tarefas domésticas. Tais temas vêm à tona quando a peotagonista vai para casa no verão, mas perde a capacidade de atenção para escrita e leitura. Gradativamente, o interesse pela vida também a abandona, e a partir disso, se sucede uma saga de tentativas médicas e familiares para recuperar sua vitalidade e evitar um suicídio.

A estruturação da obra facilita a leitura, já que a narrativa é separada em 20 capítulos de prolongamento aceitável. Sua linguagem é cotidiana, sendo possível igualá-la ao vocabulário de um diário, sem dificuldades de entendimento. Contudo, em alguns momentos, podem ocorrer confusões com os variados nomes mecionados, cuja quantidade é significativa. Quanto ao desfecho… somente posso alertá-los de que é bastante enigmático, deixano o destino de Esther a cargo da interpretação individual de cada leitor.

Minhas impressões sobre a obra:

Inicialmente, estava envolvida na trama de modo superficial, acompanhando o relato das rotinas de estudo, trablho e namoro da protagonista sem muita emoção. O destaque recebido postumamente por Sylvia Plath começou a tornar-se justificado para mim na segunda metade da obra, quando a insatisfação psicológica de Esther se inicia. A partir desse ponto, devorei as páginas e agonizei juntamente à personagem, a qual fornece um retrato perfeito dessa insatisfação generalizada pelo mundo, enfrentada em diversas fases da vida, e da incompreensão das pessoas ao redor por esse sentimento avassalador. O conceito de “redoma de vidro” é uma metáfora brilhante para resumir o estado de espírito de todos que se sentem suficados pela atmosfera da realidade.

Escrito por Rafaela Zimkovicz.

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Rafaela Zimkovicz

Muito prazer, caro leitor. Me chamo Rafaela e a expressão "viciada em livros" poderia servir como meu sobrenome, já que descobri a magia dos livros aos 8 anos, e desde então, nunca parei de devorá-los. Espero conseguir expor-lhes ao menos um porcento da grandiosidade das obras literárias através das resenhas. Idade: 15 anos.

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Categoria: Autobiografia, Romance, Romance Americano

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