Café-da-manhã dos Campeões, de Kurt Vonnegut

| 8 de julho de 2017 | 2 Comentários

Capa do livro Café-da-manhã dos Campeões

Sinceramente, acho difícil escrever uma sinopse que diga em poucas linhas sobre o que esse livro trata. Eu mesmo vi algumas sinopses dele antes de ler e fiquei extremamente surpreso em como elas estavam erradas. Okay, tentarei não cometer o mesmo erro. O livro gira em torno de dois personagens principais: Kilgore Trout, um escritor totalmente desconhecido, e Dwayne Hoover, um vendedor de carros rico. Kilgore é convidado a participar dum festival de artes em Midland, por acaso a cidade de Dwayne Hoover. Enquanto isso na cidade de Midland, Dwayne, que parecia uma cara tão normal, tem um surto repentino de loucura.

Dito isso, simplesmente esqueça essa sinopse, desista de querer seguir uma história normal e cronologicamente simples e curta as divagações de Kurt Vonnegut.

Pra começar, o livro simplesmente pega o conceito de spoilers, amassa e joga no lixo. A história tem um fio principal que acontece em alguns dias, desde que Kilgore recebe o convite para o festival de artes até o dia do evento. Mas você se pergunta: ele vai conseguir chegar lá mesmo passando por tanta adversidade? O que vai acontecer no evento? Kilgore e Dwayne vão se encontrar? Nada disso vai durar mais que alguns segundos na sua cabeça simplesmente porque Kurt Vonnegut faz questão de te responder na mesma hora. Ou seja, mal começa a história e você já sabe como ela vai acabar.

“Okay… Então é uma história sem surpresas e sem tensão?” Absolutamente não. As surpresas estão exclusivamente no modo como Vonnegut escreve – e narra! – a história. Sim, ele mesmo é o narrador. Ele deixa claro que cada personagem ali foi criado por ele mesmo, que ele os controla. Sim, ele participa da história também, mas nem tudo é feito de spoiler então abra o livro e veja você.

Desconstruída a ideia de que o foco do livro é a história, você foca na narrativa. O livro é repleto de desenhos – feitos pelo próprio Vonnegut – de coisas totalmente banais. Isso porque a narrativa é como uma conversa entre o escritor e um alienígena que não conhece o planeta Terra. Daí você pode prever a liberdade que Vonnegut vai sentir pra jogar no texto todas as suas indignações com os seres humanos e suas atitudes.

Café-da-manhã dos Campeões não é a obra de Kurt Vonnegut mais famosa, nem foi a primeira nem a última. Mas por um acaso foi ela que eu li primeiro e super recomendo. Definitivamente entrou pra minha lista de livros preferidos.

Nota: 5/5

Resenha feita por Almir Leandro

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Almir Leandro

Almir Leandro - 19 anos. Como não ser clichê falando sobre o quanto eu curto os livros? É, não tem como, então fica aí a imagem de amante dos livros por motivos de sinceramente como que não gosta de ler?! Enfim, escrevo resenhas, contos, crônicas, bilhetes, post-its, lista de supermercado e o que der na telha. Dilema atual diante das poucas 24 horas do dia: será que eu leio um livro ou ~compro uma goiaba~ assisto mais uma série?

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Categoria: Aventura, Ficção

Comentários (2)

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  1. Karen disse:

    Hahaha eu sempre li os finais dos livros com o objetivo de ficar no percurso. Parece ser um ótimo livro, estou ansiosa pra ler!

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