Capitães da Areia, de Jorge Amado

| 9 de julho de 2017 | 0 Comentários

Capa do livro Capitães da AreiaTá aí um dos maiores exemplos de “livros de escola” que passam ignorados pela maioria dos jovens e criticados por aqueles que leem por obrigação. Primeiro que ler por obrigação já começa errado, ler PRECISA ser com prazer, só assim para aproveitar cada gota de cada obra que todo autor nos oferece. E é a partir disso que a gente segue com Capitães da Areia.

Admito que só li esse livro depois de terminar a escola e até mesmo o período de vestibular. Jorge Amado começa devagar, contando pra gente onde a história vai acontecer. Ele fala do trapiche dos capitães da areia, local tão visitado na narrativa que logo a gente se sente em casa. Em seguida ele fala dos meninos que vivem lá, os famosos meninos ladrões da Bahia, os verdadeiros donos da cidade!

Para mim foi difícil rolar uma identificação logo de cara com algum personagem. Pedro Bala (e guarde esse nome porque desde que li ele é minha nova referência de líder de bando) chefia os meninos no trapiche, ou seja, ele quem manda e desmanda e diz quem vai e quem fica na casa abandonada, enquanto personagens como o Professor, Gato, Sem-Pernas, João Grande,Volta Seca e Pirulito são alguns dos protagonistas de diferentes capítulos que, acredite, expandem os horizontes do leitor para pontos de vistas totalmente diferentes do cotidiano.

Jorge Amado na sua pesquisa para o livro, morou durante algum tempo num trapiche onde viviam garotos de rua, portanto o que ele escreve é real e chocante. Chocante inclusive é a palavra certa, porque, apesar de terem entre 8 a 16 anos, todos eles vivem e se relacionam como adultos. O que significa que podemos esperar cenas de sexo, fumo e bebida livres entre os jovens.

Além de tudo, um dos fatores mais interessantes na literatura nacional é a contextualidade palpável 1) com a geografia e 2) com a sociedade. A trama dos Capitães da Areia se passa toda em Salvador, na Bahia. Qualquer morador soteropolitano identifica facilmente as ruas da Avenida Sete, o Corredor da Vitória ou o Pelourinho que estão presentes do início ao fim do livro. Além do contexto social brasileiro, o qual Jorge Amado apresenta sem massagem ao leitor. Desde padres que maltratam as crianças de rua até a alta classe que os aceitam apenas como criados em suas casas.

Não foi por acaso que em 1937 esse livro tenha sido caçado e queimado em praça pública em Salvador (não é coincidência também que hoje seja considerado um dos grandes clássicos da literatura nacional, pense nisso!). O livro apresenta temáticas fortes pelos olhos de crianças e adolescentes, Jorge Amado não podia ter escrito de maneira melhor.

Nota: 5/5

Resenha feita por Almir Leandro

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Almir Leandro

Almir Leandro - 19 anos. Como não ser clichê falando sobre o quanto eu curto os livros? É, não tem como, então fica aí a imagem de amante dos livros por motivos de sinceramente como que não gosta de ler?! Enfim, escrevo resenhas, contos, crônicas, bilhetes, post-its, lista de supermercado e o que der na telha. Dilema atual diante das poucas 24 horas do dia: será que eu leio um livro ou ~compro uma goiaba~ assisto mais uma série?

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Categoria: Aventura, Jorge Amado, Literatura Nacional

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