Cem Mentiras de Verdade, de Helena Parente Cunha

| 11 de julho de 2017 | 2 Comentários

Capa do livro Cem Mentiras de VerdadeSeguindo a pegada da minha última resenha, volto agora com outro livro que foi um dos mais pesados que já li… de novo (eu tô atraindo livro pesado. Tô amando). Esse foi o meu primeiro contato com Helena Parente Cunha – que já simpatizei quando por acaso descobri que ela é soteropolitana sim, de Salvador Bahia – e, assim que terminei o livro, fui na mesma hora procurar outro dela.

Ela escreve extremamente bem e num estilo que até então nunca tinha me aprofundado: minicontos. Caso não conheça ainda, super recomendo que leia agora mesmo. O que acontece nesse tipo de narrativa é que a história é contada através de curtas orações. Sequências de orações vão nos apresentando os personagens ou as ações ou qualquer coisa que seja que desperte nossas emoções.

Sim, destaquei a parte das emoções porque Helena Parente Cunha faz isso, ela pega uma folha de papel, escreve umas linhas e simplesmente joga com o seu psicológico, pobre leitor. Digo isso porque, quando você pega Cem Mentiras de Verdade, não demora pra perceber o método dela. Ela chega devagar, vai te jogando na história, você sente o que a personagem tá passando, e quando você e a personagem já são um só ela vem – muitas vezes na última frase! – e te joga no chão com um final totalmente surpreendente.

Okay, apesar de muitos dos cem microcontos serem bem pesadinhos e tocarem na ferida, alguns também vão te fazer rir e outros que vão te fazer ler e reler até pegar a ideia.

Nota também que, pela narrativa dinâmica da autora, a história muitas vezes fica cheia de buracos. Pra mim isso é o sensacional nos microcontos: eles não vão te dizer tudo na cara e narrar todos os fatos do jeito que aconteceram. Você precisa imaginar, visualizar e se colocar na história pra ter a experiência total.

Entre as histórias de passarinhos, histórias de casais, histórias de velhos, histórias de apaixonados e tantas outras histórias, está escancarada a solidão humana, a angústia do dia a dia, a frustração da expectativa (sim, pesado). Cem mentiras de verdade… Sem mentiras de verdade? Pois é, Helena Parente Cunha brinca com as palavras até no título e te asseguro que o livro vai ser todo nessa pegada.

É um livro curtinho que você devora de uma vez só (é bom que sofre tudo de uma vez só) ou você é obrigado a se segurar na leitura e ler só alguns contos por vez, saboreando a narrativa da autora.

Nota: 5/5

Resenha feita por Almir Leandro

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Almir Leandro

Almir Leandro - 19 anos. Como não ser clichê falando sobre o quanto eu curto os livros? É, não tem como, então fica aí a imagem de amante dos livros por motivos de sinceramente como que não gosta de ler?! Enfim, escrevo resenhas, contos, crônicas, bilhetes, post-its, lista de supermercado e o que der na telha. Dilema atual diante das poucas 24 horas do dia: será que eu leio um livro ou ~compro uma goiaba~ assisto mais uma série?

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Categoria: Contos, Literatura Nacional

Comentários (2)

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  1. Karen disse:

    Maravilhoso!!! Tanto o livro quanto a resenha.

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