Deus Como Ele Nasceu, de Reinaldo José Lopes

| 14 de abril de 2017 | 0 Comentários

Capa do livro Como Deus NasceuDa revista SUPERINTERESSANTE. Com uma linguagem bem atual, Reinaldo José Lopes narra com detalhes, a história da crença em Deus desde o que ele chama de “nascimento” até sua propagação no mundo inteiro do ponto de vista histórico mais atual possível. Do começo ao fim do livro, o autor deixa claro que sua intenção não é atacar nenhuma religião, mas sim investigar as origens da crença em Deus/Iahweh, sua evolução através dos anos e o que historiadores e pesquisadores contemporâneos dizem sobre algumas das histórias presentes na Bíblia.

Como fã da mitologia grega, e conhecedor das diversas histórias bíblicas – resultado de 2 anos e poucos meses como protestante –, no primeiro momento em que vi o livro “Deus como ele nasceu”, decidi que aquela seria minha leitura do mês. E não me arrependi, afinal, não é comum encontrar livros que apresentem temas deste gênero com uma escrita tão acessível para qualquer um. Acessível. Esta é a palavra que define os capítulos e a maravilhosa habilidade do autor.

Nos primeiros capítulos da obra, Reinaldo conta as diversas ramificações presentes na origem da crença no Deus único Iahweh, começando pela função da “crença” para os povos que, futuramente, viriam a ser chamados israelitas, e o papel da psicologia no cenário da época. Ao longo da obra, há diversos momentos em que viemos a conhecer os traços históricos por trás dos manuscritos bíblicos e seu conteúdo. Mas é a maneira com que o autor diversas vezes introduz, ou usa exemplos, que realmente chama atenção.

Oque você pensaria ao começar uma aula de história com a seguinte questão: “Conte-me uma coisa, (…) Isto aqui é real Ou está acontecendo dentro da minha cabeça?” Reconhece isto de algum lugar? Não? Então leia a seguinte réplica: “É claro que está acontecendo dentro da sua cabeça, Harry, mas por que diabos isso deveria significar que não é real?” Agora você lembrou né? Harry Potter! Quem não conhece Harry Potter, sem sombras de dúvidas não vai lembrar, sinto muito, é a realidade. Mas, no meu caso, se uma de minhas aulas de histórias começasse com citações de HP, com certeza eu me derramaria no assunto. E é exatamente isso que “Deus como ele nasceu” faz conosco: nos derrama no assunto.

Citações bíblicas são obviamente esperadas nesse tipo de livro, mas o que me diz sobre Harry Potter; O Senhor dos Anéis; e até As Crônicas de Nárnia? Surpreendente não? É exatamente ai onde a expressão “acessível” entra. Em diversos momentos, Reinaldo utiliza de citações de livros como estes para facilitar o entendimento do leitor. As citações que fiz no parágrafo anterior, por exemplo, estão logo no começo do primeiro capítulo, e isto realmente me deixou com um interesse especial por terminar um capítulo atrás do outro: eu sabia que vinha uma surpresa a cada transição.

Não querendo me prolongar nesta resenha, decidi compartilhar um pequeno trecho do livro, onde o autor deixa ainda mais explicito sua opinião com relação a fé, crenças, e a religião. Uma opinião que considero bem rica aliás:

Não sei qual é o futuro de Deus. Mas acho que ninguém deveria adorar um deus menos generoso do que Aslan.” Usando Aslan (de As Crônicas de Nárnia) como exemplo de divindade, que é o que ele é na obra de C.S. Lewis, o autor conclui: “Se a divindade é digna de louvor, ela sempre vai preferir a misericórdia.

E então, você estaria disposto a adentrar na certidão de nascimento de Iahweh por uma semana (ou menos), assim como eu fiz? Se a resposta for sim, aparentemente, meu trabalho nesta resenha está cumprido. Até a próxima, e espero que tenham gostado.

Felipe (Élly)

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Sou fã da escrita e da leitura. Desejo ser cineasta, mas enquanto não, curto embarcar nas aventuras literárias de autores como John Green, J.K. Rowling, Agatha Christie... Gosto de livros no geral, mas tenho preferência por drama, fantasia, aventura, romances policiais e suspense. Vejo nas resenhas uma maneira de compartilhar o que leio e, ao mesmo tempo, conversar com outros leitores; oque se torna uma via de mão dupla quando eles lêem o que sugiro, e chegam a comentar. Obs: sou de Humanas.

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Categoria: Psicologia, Religião

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