Dias Perfeitos, de Raphael Montes

| 8 de março de 2016 | 2 Comentários

Dias perfeitosTéo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez. O efeito é perturbador. Téo fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas atitudes com uma lógica impecável. A capacidade do autor de explorar uma psique doentia é impressionante – e o mergulho psicológico não impede que o livro siga um ritmo eletrizante, repleto de surpresas, digno dos melhores thrillers da atualidade. Dias perfeitos é uma história de amor, sequestro e obsessão. Capaz de manter os personagens em tensão permanente e pródigo em diálogos afiados, Raphael Montes reafirma sua vocação para o suspense e se consolida como um grande talento da nova literatura nacional.

Dias perfeitos é um romance policial do jovem escritor brasileiro Raphael Montes, escritor também do livro O Vilarejo.

Esse livro conta sobre uma louca paixão (ou seria louca obsessão?) que Téo começa a sentir por Clarice, uma menina eufórica e sincera. Téo é filho de Patrícia, uma paraplégica que perdeu o movimento das pernas no mesmo acidente em que Téo perdeu o pai. Clarice vinha de uma família com certo status social e namorava Breno, um violinista que não era bem visto pelos seus pais. A trama se desenvolve a partir do momento em que Téo resolve tentar conquistar Clarice e a sequestra.

“‘Não me interessa o que você gosta ou não. Vai se foder, cara! Tentei ser legal, mas não dá! Se você tem problemas com mulheres, come uma puta, sei lá’ […] mas aquela era outra mulher. Não era sua Clarice. Ele avançou precisando calá-la.”

Confesso que tive um pouco de dificuldades de iniciar a leitura. O livro começa falando sobre Téo, que estudava medicina e tinha como “melhor amiga” um cadáver (a quem ele apelidou carinhosamente de Gertrudes). Demorei um pouco para “pegar no tranco”. Mas quando pude ter alguma ideia do que iria acontecer, fiquei mais curiosa e continuei lendo.

“’Enfia esse anel no cu! ’ Ela tirou a aliança do casaco e jogou na cara dele. ‘Eu quero a chave!’

‘Já disse que não vou dar a chave. Se quiser, atire em mim. ‘”

Uma coisa que amei/odiei nesse livro foi a impossibilidade de descobrir o que aconteceria em seguida. Quando eu leio um livro, eu tenho um negócio que eu chamo de “complexo de Sherlock”. Eu tento descobrir o que virá com base no que já li. Mas com esse livro é praticamente impossível. Uma outra coisa que amei nesse livro foi que ele sai do padrão dos livros atuais. A maioria dos livros mais lidos pela juventude seguem um certo padrão: um(a) mocinho(a), um vilão, uma aventura, falsa sensação de que tudo está perdido e a vitória no final. Claro, isso tudo acontece em vários cenários, com vários personagens diferentes uns dos outros, de acordo com a ideia do escritor. Mas esse livro não segue isso. E também por isso, esse livro entrou na minha lista dos favoritos.

“Quando saiu do carro, suas pernas fraquejaram ao peso do corpo. Apoiou-se discretamente no capô. Tentava calcular a quanto tempo tinha aplicado o Thiolax em Clarice.”

Já comentei que gostei muito da imprevisibilidade do livro. E não custa nada ressaltar outra coisa sobre.

Teve muitos momentos do livro que eu pensava “putz! É agora que tudo acaba.”, mas aí eu olhava pra quantidade de páginas que faltava.

E AINDA FALTAVA MUITA COISA!

Eu ficava doida! O que mais poderia acontecer meu Deus? Esse trecho que destaquei lá em cima foi um dos muitos trechos do livro que tive essa sensação. Poderia ficar o dia inteiro citando alguns trechos em que o coração batia acelerado, os olhos ficavam arregalados… Mas não quero dar uma de desmancha prazeres. Não quero estragar a “magia” do livro. 😉

Concluindo: o livro é arrebatador. Dá-me até orgulho ao lembrar que Raphael Montes é um escritor brasileiro. O modo dele de escrever é totalmente singular, apaixonante e é surpreendente, pois ele é muito jovem e têm essas ideias tão incríveis. Super recomendo esse livro para ler, se surpreender e reler mais e mais vezes.

Nota: 5/5

 

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Gabrielle

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Categoria: Romance policial, Suspense

Comentários (2)

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  1. Janete disse:

    Gostei mto desse livro e gostaria de poder ler tdo ele.

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