Encanto mortal, de Sarah Cross

| 14 de dezembro de 2013 | 1 Comentário

Capa do Livro Encanto mortalUma vez li em algum lugar que algumas pessoas, quando pegavam um livro novo para ler, gostavam de ler primeiro a última página para saber se o final era bom e verificar se a história valia a  pena. Na época eu achei uma loucura, sou avessa a spoilers, então ler a última página estava fora de questão, porém esse livro me despertou uma vontade tremenda de fazer isso. E não era porque a história estava boa.

Encanto Mortal conta a história de uma garota, Mirabelle, que poucos dias antes de seu aniversário de 16 anos, foge da casa que morava com as madrinhas e parte para uma cidade, Beau Rivage, a procura do túmulo de seus pais, que morreram em um incêndio quando ela era um bebê.

Quando li a sinopse pela primeira vez, coloquei este livro na minha lista de compras literárias. Gosto bastante de histórias sobre contas de fada, principalmente se a narrativa vem com uma nova leitura, no entanto achei o desenvolvimento da história fraca e contraditória.

Eu fiquei tentada a ler as últimas páginas, pois a história demorou a se desenvolver. O início do livro foi uma confusão de muitos personagens sendo apresentados sem nenhuma explicação, fazendo piadinhas internas que deixavam não só Mira confusa como o leitor também. O grande mistério, que não era mistério para ninguém, de eles viverem em uma cidade habitada por seres de contos de fadas, demorou a ser revelada a Personagem principal, e quando foi ela acreditou rápido demais, não questionou, não pediu provas, sendo que Belle foi criada totalmente longe de histórias do tipo.

Minha curiosidade para saber o que aconteceria a seguir era muita, pois um dos personagens principais guardava em segredo absoluto quem ele era no mundo dos contos. Então eu li praticamente 200 páginas sem parar, pois quanto mais eu lia, mais segredos havia e mais vontade de saber o que acontecia eu tinha. Claro que isso não é ruim, pois a autora, Sarah Cross, conseguiu manter a tensão do livro. Porém houve um problema: eu acredito que as situações que ocorrem nas histórias não podem ser sem propósito, elas devem acontecer para que lá na frente aconteça outra coisa que encaixe naquilo que os personagens viveram. Em Kill me Softly, no original, houve esse problema de descrição de situações e conversas que até agora não entendi muito bem no que contribuíram na história.

Outro ponto fraco da narrativa foi o tempo. Mirabelle fugiu de casa faltando pouco menos de uma semana para o seu aniversário. São 300 páginas que contam uma história que se desenvolve em 5, 6 dias. Isso não seria problema se Belle não se apaixonasse perdidamente por alguém que não conhece nesse tempo. Fiquei me perguntando como que uma adolescente de 15 anos foge de casa se apaixona como se não houvesse amanhã e vai dormir na mesma cama que o cara em pouco mais de 24 horas. E digo isso principalmente porque Mira foi criada por suas madrinhas que eram hiper protetoras e não deixavam ela fazer nada.

Não gostei dessa personagem. Ela me pareceu uma garota inconsequente e egoísta, totalmente o contrário da descrição que fizeram para ela ao fim do livro. Inconsequente pelos motivos que já expliquei anteriormente. Ela passou a maior parte da história ignorando os conselhos das pessoas, que conheciam há anos o cara por quem ela se apaixonou, pois ele a tratava bem, queria fazê-la feliz, sendo que Mira conhecia o garoto há dois dias. Essa teimosia dela em não se afastar do rapaz fez com que ela corresse grande perigo de vida. É claro que quando ela descobriu a verdade – essa verdade que era o grande segredo do livro e me fez lê-lo de supetão até às 3h da madrugada! – era tarde demais e a única coisa que conseguiu salva-la da morte foi o destino que ela teimava em não aceitar.

Porém, até aí tudo bem, até que não me importei tanto, sabe como são esses amores adolescentes, né! O que me deixou indignada foi ela fazer de tudo para realizar a própria vontade. O que é bem diferente da descrição que fizeram dela como sendo bondosa. O tempo inteiro na história ela tratou de buscar os meios para fazer o que queria, seja ignorando conselhos de quem era mais entendido do mundo encantado do que ela, seja magoando pessoas, seja usando da magia de suas madrinhas para beneficiar outro amor que era impossível de se realizar, dizendo que era para o benefício dele, sendo que a maior beneficiada seria ela. Durante todo o livro Mirabelle flertou com o perigo e nem sequer fugiu dele como era de se esperar de pessoas sensatas.

O que achei muito interessante foi a perspectiva de maldição a que eles estavam presos. Sarah criou um mundo onde certas pessoas podiam ser amaldiçoadas tendo que cumprir um papel nesse mundo. Porém nele não existia apenas uma Branca de Neve, ou Cinderela, mas sim gerações de Brancas de Neve e Cinderelas, sendo que o enfoque da história estava em um grupo de adolescentes que foi amaldiçoado e tinha que lidar com o destino a cumprir. Convenhamos que para esses amigos saber o que o destino reserva é enervante, pois a maldição ia além da força de controle deles. Se destino existe ou não ninguém sabe, porém se existe não sabemos quando ele acontece e se soubéssemos também entraríamos em parafuso ou tentaríamos mudá-lo. Se seríamos bem sucedidos ou não eu não sei.

Eu acredito que histórias devem ter um final. Para todos os personagens. Histórias que deixam gancho são livros que fazem parte de séries. Não sei se é o caso de Encanto Mortal, porque o final do livro foi tão estranho que não consegui avaliar se era um gancho ou não. O fim da maioria dos personagens ficou em aberto e histórias importantes não foram resolvidas. Caso não haja uma continuação o fim do livro seria decepcionante.

Resenha feita por Camila Dorneles.

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Camila Dorneles

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Categoria: Literatura Juvenil, Romance, Sarah Cross

Comentários (1)

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  1. NICCOLLY disse:

    Havia muito tempo que eu não tinha lido um livro tão ruim, e o pior disso é saber que fui enganada uma capa e uma sinopse belíssima que me encantaram profundamente.E o pior é que quanto mais ruim o livro estava, mais eu lia na esperança de ver se melhorava.A personagem é fútil, mesquinha e egoísta, entretanto ela é tratada como uma santa e ingenua, e pelo que percebi, isso não é nem recurso literário, é a tentativa da autora de tentar de mascarar um lobo em pele de ovelha e achar que todos os leitores vão concordar. A Mirabella, é uma adolescente rebelde da pior maneira que existe, é uma menina egoísta fazendo as leis que ela mesmo inventou da forma que bem quer,sem se responsabilizar por nada.
    Como eu queria que as outras personagens fossem protagonistas,a Bella principalmente, para não ter que aguentar mais de 200 paginas com a antipática da Mirabella. Resumindo o livro tinha tudo para ser bom mas conseguiu ser horroroso.

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