Garota Exemplar, de Gillian Flynn

| 6 de março de 2017 | 0 Comentários

Toda história tem dois lados.” – Amy Elliot

O livro é narrado em dois tempos, o presente de Nick, a partir do dia do seu quarto aniversário de casamento e, o passado de Amy, escrito em um diário. No presente, ele sai de casa cedo e, ao retornar, sua esposa está desaparecida. A cena do crime é claramente “montada”, o que intriga os policiais envolvidos no caso. Ao passo que, no diário, Amy se mostra uma mulher apaixonada e dedicada. Mas na versão de Nick, era clara a frieza de sua esposa e, seu casamento estava em ruínas. Também lhe perguntaram a respeito de filhos, “porque nunca tiveram uma criança em quatro anos de casados…?”, o que, rapidamente ele respondeu não ser um desejo de Amy.

“Então isso tinha que parar. Ser comprometida com Nick, me sentir segura com Nick, ser feliz com Nick, me fez perceber que tinha uma verdadeira Amy aqui, e ela era muito melhor, muito mais interessante, complicada e desafiadora que a Amy legal. Nick queria a Amy legal de qualquer jeito. Você consegue imaginar? Finalmente mostrar seu verdadeiro eu para o seu esposo, sua alma gêmea e ele não gostar de você? Então é como o ódio começa.” – Amy Elliot

Em todos os anos, no dia do aniversário de casamento dos dois, ela organizava uma caça ao tesouro e, a desse ano, continha em suas entrelinhas provas de um crime muito bem planejado e organizado, será que os policiais vão perceber isso? A investigação continua, dificultada, já que segundo Nick, Amy não possui amigas, até que uma surge, e mostra a todos o perfil de um marido diferente do que ele se mostrava ser. A pequena mulher, mãe de gêmeos, diz a todos que Amy estaria esperando seu primeiro filho, mas se encontrava receosa em contar a Nick, temia sua reação. A revelação leva o caso por outros caminhos, pois agora, parece ele, ser o verdadeiro culpado. O diário de Amy é encontrado, e a história que ela escrevera de sua vida, mostra uma mulher dedicada, sofrendo abusos, físicos e morais por seu parceiro. Tentando reerguer a relação. Então, em quem você acredita? Em Amy, que afirma seu marido ser capaz de matá-la, ou em Nick, um homem frio e calculista?

“Esse homem é capaz de me matar.” – Amy Elliot

Os personagens são duvidosos. Claramente, um dos dois está mentindo. Como Nick é nossa versão do presente, confiamos nele, até descobrirmos de sua amante. A partir daí, percebemos que, ou alguém está fazendo um grande esforço para incriminá-lo, ou, sua mulher está mentindo, mas por que alguém mentiria, durante um ano em um diário? A Amy que nos é apresentada, é uma mulher humilde, embora, tenha “nascido em berço de ouro”. Devido o sucesso de seus pais como escritores, sofreu muitos abusos de fãs durante sua vida. Tem medo de sangue, é amorosa, dedicada e sempre procura conversar com seu marido. Nick, por outro lado, é alheio às tentativas de reconciliação de sua esposa. Cresceu em um lar violento, seu pai, altamente machista, é desprezado por ele e, constantemente mantido em um asilo. Sua mãe morreu de câncer e recentemente ele perdeu o emprego. Graças ao fundo de poupança de Amy, abriu um Bar com sua irmã, Go. Ele é frio, não sabe demonstrar muitas das suas emoções, problema associado a carência de afeto em sua infância. Nunca chegamos a conhecer o Nick do passado, exceto pelas palavras de Amy.

“Bem, há todo tipo de homem” – Nick Dunne

Em minha opinião, o livro é espetacular. É uma história complexa, que leva o leitor a duvidar das verdades apresentadas a ele. Instiga-nos a pensar, analisar pequenos fatos, como se cada palavra possuísse mais de um significado desafiando o público. Há semanas venho tentando entender o que levou cada um deles a fazer o que fizeram. O final não é bom, mas é magnifico. É uma história que surpreende e intriga. É a compreensão de uma mente psicótica. Mas de quem, de Amy, ou de Nick?

“Como uma criança, eu me imagino abrindo seu crânio, desenrolando seu cérebro e vasculhando-o, tentando capturar e fixar com alfinete seus pensamentos.” – Nick Dunne

A leitura  é prazerosa e nos faz “comer” o livro rapidamente, pois a dúvida nos consome, isso é o melhor de um bom suspense. O livro trás muitas evidências a cada capítulo e consequente, mudança de narrador. Já foi adaptado para o cinema e o filme seguiu a principal ideia do livro. Recomendo ambos. Tenham uma boa leitura e deixa o comentário ai embaixo do que acharam.

Nota: 5/5

Letícia Melo

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Categoria: Romance, Suspense

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