Maus: a História de um Sobrevivente, de Art Spiegelman

| 13 de julho de 2017 | 2 Comentários

Capa do livro MausTá aí uma graphic novel pra nenhum hater de HQs olhar de cara feia. Maus é aquele livro que você provavelmente já viu na livraria com alguns ratos desenhados na capa e um símbolo nazista no fundo com a cara de um gato com bigode na frente. Se não viu ainda, vale a pena total. Essa é uma resenha apenas do livro um porque foi o único que comprei até agora, mas geralmente dá pra achar ele fácil com as duas partes completas.

Antes de se tornar um livro único, os capítulos de Maus foram publicados na revista Raw, desde 1980 até 1991, que depois foram compilados em dois volumes.

A história gira em torno de Art entrevistando seu pai, Vladek, durante vários dias, sobre a história de sua vida. Isso porque Art é um escritor de graphic novels e há um tempo já queria escrever sobre a história de seu pai durante a guerra.

Caso não tenha ficado claro, Art Spiegelman, o autor do livro, é o próprio Art Spielgman da história, que escreve uma graphic novel (assim como fez o autor) sobre a história de seu pai, Vladek. Ou seja, metaliteratura total, além de ser um claro registro biográfico de seu pai.

O que deixa a história notável é que essa não é a história apenas de Vladek, e sim de milhões de judeus que durante anos lutaram com todas as suas forças pela sobrevivência durante o holocausto. Durante a narrativa de Vladek, ele fala sobre as pessoas que conheceu entre um esconderijo e outro com a sua esposa, fala dos que morreram, dos que foram forçados a trabalharem para os alemães, dos que conseguiram sobreviver e dos poloneses amigos e inimigos.

Entrando nesse assunto, o que mais diferencia esse livro de outros sobre o nazismo é o fato de todas as personagens serem seres antropomórficos. Além de chamar atenção, claro, Spiegelman não fez dessa forma por acaso. Sem chamar muita atenção, ele diferencia por meio dos animais as diferentes nacionalidades. Logo de início a gente percebe que os ratos são os judeus e os gatos são os alemães. Dá pra pegar a ideia do jogo de gato e rato né? Além desses, aparecem também os poloneses como porcos, o que é interessante quando os próprios judeus se disfarçam de poloneses: na história eles usam máscaras de porcos!

Ou seja, não conhece nenhuma HQ pra iniciar suas leituras nesse universo? Recomendo Maus. Arte interessante e criativa, além de informar bastante sobre o holocausto através dos olhos do sovina Vladek.

Nota: 5/5

Resenha feita por Almir Leandro

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Almir Leandro

Almir Leandro - 19 anos. Como não ser clichê falando sobre o quanto eu curto os livros? É, não tem como, então fica aí a imagem de amante dos livros por motivos de sinceramente como que não gosta de ler?! Enfim, escrevo resenhas, contos, crônicas, bilhetes, post-its, lista de supermercado e o que der na telha. Dilema atual diante das poucas 24 horas do dia: será que eu leio um livro ou ~compro uma goiaba~ assisto mais uma série?

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Categoria: Biografia, Drama

Comentários (2)

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  1. Karen disse:

    É possível que uma HQ não seja infantil ou de super heróis e ainda assim tenha qualidade a ponto de prender o leitor? Acho que as HQ são um tanto que estereotipadas. Eu mesma nunca consegui criar a imagem de um assunto sério retratado em HQ. Talvez seja uma boa experiência iniciar por essa… Obrigada pela recomendação.

    • Almir Leandro disse:

      Com certeza! Mas o próprio autor se incomodou com o termo “graphic novel” pro livro dele. A imagem de HQs infantis realmente afasta leitores de conteúdos muito bons. É um outro universo, outro tipo de arte, leia esse e veja se curte.

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