Menino do mato, de Manoel de Barros

| 3 de janeiro de 2017 | 0 Comentários

Capa do Livro Menino do Mato

Um dos últimos livros escritos por Manoel de Barros, ‘Menino do mato’ sintetiza com perfeição suas aspirações e seu estilo. Esse menino, que é a consciência do poeta, deseja apreender o mundo sem explicações ou propósitos. Na primeira das duas partes que compõem esta obra, Manoel reforça sua instintiva ligação com a natureza e a infância. Em sua procura por “palavras abençoadas pela inocência”, o poeta busca o universo em seu estado primordial. A segunda parte, “Caderno de aprendiz”, evidencia a absoluta liberdade de sua linguagem. Aqui, as palavras deixam de nomear para nos fazer simplesmente sentir a pureza dos primeiros tempos de nossas vidas.

Um livro fácil e rápido de ler, Menino do mato é aquele livro leve, que nos leva as aventuras da infância. O autor em meio a poemas curtos e muitas folhas em branco, retoma uma infância cheia de imaginação e metáforas, na qual proporciona ao leitor um sentimento agradável e bom, pois remete a ingenuidade e a alegria que vinha fácil quando se era criança.

Acredito que a grande sacada desse livro, foi falar de coisas simples como a natureza e o céu, nada muito complicado, algo que qualquer um poderia entender.  Porém algo que talvez só as crianças realmente prestassem atenção.

O livro traz aquele breve momento de reflexão, sobre tantas coisas que a curiosidade infantil nos faz olhar, imaginar e viajar. Sem drogas ou compromissos apressados, apenas o prazer de olhar o mundo a sua volta, pensando em coisas improváveis e tendo um momento feliz com isso.

O interessante desse livro, é que o autor consegue tornar viva a linguagem informal e por vezes desconexa das crianças, através de um cenário rural e de uma suavidade impressionante.

Logo na capa da primeira parte, Manoel de Barros faz uma citação:

“O homem seria metafisicamente grande se a criança fosse seu mestre”

Desse modo, suponho que esse é o objetivo do autor, instigar o olhar ao redor, a curiosidade e simplicidade das crianças, para que enquanto adultos as pessoas continuem a se encantar e descobrir cada vez mais sobre o mundo.

A leveza em relação a vida, o simples prazer de cantar e rir sem nenhuma preocupação ou pensamento, dar uma pausa as milhares de informação diária com as quais somos bombardeados. Possivelmente seriam essas as coisas pelas quais deveríamos estar preocupados em não perder ou esquecer.

Em síntese, esse é um livro para descontrair, refletir e olhar para a próprio ambiente ao redor. Além disso, uma boa pedida para alguém que deseja resgatar por alguns minutos a simplicidade e curiosidade de uma criança, que conhece o mundo através da exposição, sem teorias complexas ou uma bagagem de informações.

O livro é dividido em duas partes:  Menino do mato e Caderno de aprendiz. Sendo que algumas folhas estão em branco e algumas tem apenas uma linha, porém isso só contribui pra deixar a obra mais interessante. Nesse caso, menos é mais pois escrevendo pequenas frases por folha, deixa no leitor um sentimento de querer ler e se aventurar por outros versos.

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Meus dois interesses principais: Livros e Música. Não tenho nenhum escritor favorito; Amo escrever. Prazer, esta sou eu.

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Categoria: Literatura Nacional, Poesia

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