Nosferatu, de Joe Hill

| 19 de dezembro de 2016 | 0 Comentários

Nosferatu“Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem. Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor. E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca… e acaba encontrando Charlie. Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic. Perturbador, fascinante e repleto de reviravoltas carregadas de emoção, a obra-prima fantasmagórica e cruelmente brincalhona de Hill é uma viagem alucinante ao mundo do terror.”

  Nosferatu é uma das obras mais conhecidas do escritor Joe Hill, também escritor de O Pacto que em 2014 foi adaptado para as telonas do cinema, cujo protagonista foi interpretado por ninguém mais, ninguém menos que Daniel Radcliffe. Mas voltemos ao Nosferatu.

O livro trás a história de Vic McQueen (Pirralha), que quando criança ganhou uma bicicleta que lhe deu a habilidade de materializar uma ponte “imaginária” que ia até onde sua imaginação quisesse. Num certo dia, com seus pais discutindo, ela decidiu que queria arrumar encrenca. Saiu pedalando na sua Tuff Burner, entrou na Ponte que a levou até Charles Manx.

Bom, e a Ponte nunca erra.

Embora Joe Hill seja um autor famigerado de terror, eu diria que esse livro é mais… Mistério e fantasia, com um pouco de terror aqui e acolá.

Eu li esse livro duas vezes. Na primeira vez, a dois anos atrás, achei esse livro maçante demais. Nossa, muito cansativo mesmo, tanto que eu demorei muito tempo até terminar de lê-lo. Agora resolvi relê-lo e digamos que minhas opiniões se tornaram mais claras.

Sobre os personagens: Pirralha é uma moça rebelde, teimosa, cujo juízo só aparece quando tudo é tarde demais. A personalidade forte dela ficou perfeita no enredo da história. Quando pensamos numa personagem teimosa, imaginamos uma pessoa burra, que se mete em encrenca a toda e depois fica choramingando pelos cantos (ou algo assim). Mas acompanhando a Pirralha, a gente consegue compreender dela ter feito isso ou aquilo, sentimos uma profunda empatia por ela (pelo menos eu senti). Ela é uma mulher forte e com uns parafusos a menos, o oposto de Lou, o companheiro dela, que por mais que ele tentasse parecer durão, sua cara gorducha e seu jeito meigo acabavam com sua fachada. Esse contraste entre os dois, pra mim, ficou uma combinação perfeita.

A seguir, temos Charles Manx e Bing Partridge. Manx é um cretino total, sem mais. O cara acredita com toda certeza de que faz o bem sem olhar a quem e isso irrita demais, ao ponto de dar vontade de chegar lá e dar uns tapas na fuça dentuça dele. E tem o Bing, que é um adulto, mas perto de Manx parece uma das criancinhas da Terra do Natal. Mas é outro cretino, com seu gás de pão de mel e sua máscara. Ele era comparsa de Manx: ajudava nos sequestros e dava um jeito com as mães alheias.

Além dos principais, temos os “secundários”, por assim dizer: os pais da Vic, a Maggie, os policiais que surgem no final. Não entrarei muito com detalhes, pois posso acabar dando spoilers, mas posso dizer que todos os personagens do livro são muito bem colocados, muito bem adicionados ao roteiro.

No geral, os personagens são mara, a ambientação é bem elaborada e sem muitos detalhes irrelevantes (apenas nos lugares que o autor julgou mais importantes). O final é surpreendente e deixa aberto para a sua imaginação (imaginei algumas coisas bem trágicas, por sinal). A história é bem escrita, muito similar a do seu pai, o Stephen King, com muita intensidade e uma criatividade além da nossa compreensão, mas eu acho que é mais melhorado: com menos detalhes e menos encheção de linguiça. Contudo, tem que ler com calma para não se tornar maçante. Mas quando você engata na leitura, você vai até o fim sem parar.

  Nota: 5/5

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Gabrielle

Gabi Gomes - amante de livros, da boa música e do bom café. Tímida, introvertida, introspectiva e derivados. Não, não sou antissocial, embora eu diga (só pra pararem de perguntar).

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Categoria: Fantasia, Joe Hill, Terror

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