O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna

| 12 de abril de 2018 | 0 Comentários

O “Auto da Compadecida” consegue o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel. É uma peça teatral em forma de Auto em 3 atos, escrita em 1955 pelo autor paraibano Ariano Suassuna. Sendo um drama do Nordeste brasileiro, mescla elementos como a tradição da literatura de cordel, a comédia, traços do barroco católico brasileiro e, ainda, cultura popular e tradições religiosas. Apresenta na escrita traços de linguagem oral (demonstrando, na fala do personagem, sua classe social e apresenta também regionalismos relativos ao Nordeste. Esta peça projetou Suassuna em todo o país e foi considerada, em 1962, por Sábato Magaldi “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro

35ª edição, Editora Agir, ilustrado por Romero de Andrade Lima, é dividido em 3 atos e tem 186 páginas. Tem como tema principal satirizar algumas situações sociais, fazendo- nos refletir sobre relações sociais, mentiras, hipocrisias, religião e materialismo.

A peça se passa em Taperoá no século XX e é narrada pelo Palhaço, além de ser mixada com apresentações no estilo circense. A história traz vários personagens, sendo como protagonista João Grilo, um homem pobre e inteligente que arma situações para sobreviver e se vingar de seus patrões pelos maus tratos na infância. Co-protagonista e trazido pelo Chicó que é o melhor amigo de João Grilo, é muito medroso e vive contando histórias mirabolantes. A história é uma série de confusões em que João Grilo entra e a forma de como usa a sua inteligência para sair delas.

Uma coisa que me fez apaixonar por esse livro foi a simplicidade com qual Suassuna escreveu o roteiro. Lendo cada detalhe (Com qual as pessoas raramente fazem) notemos que o cenário tem poucas mudanças e é mixado com o circo. Seus personagens são cativantes e fazem a peça sair pro mundo real, mesmo tendo essa grande diferença de época, cultura e linguagem. O livro é bem diferente do filme e da minissérie. Ou nem tanto. Por parte da minissérie não posso falar muita coisa, pois não vi muito, mas pude assistir ao filme e posso contar que eles são muitos semelhantes, embora o filme comece no que seria o meio do primeiro ato do livro e no livro tem não personagens como Rosinha, Vicentão e Cabo Setenta, que na verdade são personagens de outro livro do autor.

Mesmo que eu não ache muito importante falar sobre alguns personagens gostaria de relembrar que alguns personagens:

O melhor personagem do livro é o Encourado. Não por ele ser um personagem vilão, mas por ele ser o único que é justo, tem opinião moralista e se baseia no que é certo. Nossa Senhora e Jesus foram corrompidos pelo dinheiro prometido por Chicó, assim como os outros o Sacristão, o Bispo e os outros personagens. Suas falas também são surreais, feitas com elegância de um advogado de defesa, estilo Harvey Specter, e se mostra justo durante o livro todo e até um pouquinho abusado em algumas cenas.

Meu personagem favorito de todos realmente foi o palhaço. Não há personagem melhor que esse, que interage e conversa diretamente com os personagens e com o público e comenta conosco sua opinião sobre a história, além de nos ajudar na compreensão de algumas partes.

No centro do livro, por trás de todas as camadas de humor negro temos a parte mais importante do livro: As críticas sociais. Nota-se que a única personagem feminina (Além da Compadecida) é somente chamada de mulher do padeiro. Com o machismo reinando na época desse livro a personagem quase não tem espaço e é super julgada por ser adultera, mas o Chicó que traiu o padeiro junto com ela nem foi mencionado. Também temos a corrupção, onde todos os personagens religiosos se rendem ao dinheiro a qualquer custo.

Embora seja confuso em algumas partes por ser uma peça teatral, o livro tem uma forma divertida e engraçada de ler. O humor negro que compõe algumas das cenas também foi um fator crucial para que o livro entrasse na minha lista de favoritos. Não encontrei quem não gostasse de O Auto da Compadecida e você, Leitor, não vai ser o primeiro.

Pontuação: 4,5 / 5 ????

Ariano Suassuna nasceu na Cidade da Paraiba (hoje João Pessoa), capital da Paraíba (Parahyba em ortografia arcaica), filho de Rita de Cássia Vilar e João Urbano Pessoa de Vasconcellos Suassuna (1886-1930) que cumpria o mandato de presidente do Estado (atualmente equivale ao cargo de governador). Este dia era dia de Corpus Christi, o que acabou por ocasionar a parada de uma procissão que parecia ocorrer devido ao dia de seu nascimento na frente do palácio do governo do Estado. Ariano viveu os primeiros anos de sua vida no Sítio Acauã, no sertão do estado da Paraíba.

Aos três anos de idade (1930), Ariano passou por um dos momentos mais complicados de sua vida com o assassinato de seu pai no Rio de Janeiro, por motivos políticos, durante a Revolução de 1930, o que obrigou sua mãe a levar toda a família a morar na cidade de Taperoá, no Cariri Paraibano.

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Emily Damascena

sou viciada em ler e amo fazer trabalhos sobre o que li. gosto de teatro, musica e livros de ficção, vivi lendo livros desde pequena, pois minha mãe não queria contar as mesmas historias todos os dias, então ela me ensinou a ler e me apaixonei ate os dias de hoje. (caso se goste ou não da resenha comente, de a sua opinião,pois e importante para mim) ps.leia também minhas outras resenhas, tenho certeza que você vai gostar, comente, livro que mudou minha vida: As Vantagens de ser invisível( leia também).

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