O Colecionador de Lágrimas [Holocausto nunca mais #1] , de Augusto Cury

| 22 de novembro de 2016 | 0 Comentários

O Colecionador de Lágrimas“Um professor especialista em nazismo e II Guerra Mundial, começa a ter insônia e pesadelos, como se estive vivendo as atrocidades do Nazismo. A partir disso o passado passa a ser vivo para ele. Em um ponto de desatino, sobe na mesa da sala de aula e diz que os alunos são parceiros de Hitler. Sua intenção é, na verdade, provocar a sensibilidade e a curiosidade de seus alunos. Bem quisto por alguns, mas muito criticado e até processado por outros, ele é banido da universidade. Mas fica famoso recebendo diversos convites para conferências enquanto se esconde de um estranho complô nazista que tenta a todo custo assassiná-lo.
Seu reconhecimento como grande historiador faz com que receba um convite de cientistas alemães, que pesquisam uma máquina complexa, financiada pelas forças armadas e que usa a teoria da relatividade e da quântica para conseguir viajar no tempo.
Mas por que ele? O convite então se torna claro: tudo o que os alemães querem é alguém com competência suficiente para voltar no tempo, matar Hitler e mudar a história. Apesar de eliminar todo o mal causado por Hitler, conseguiria ele chegar à infância do ditador e assassiná-lo. Faria ele esta atrocidade?”

O livro ideal para quem quer se envolver de modo mais pessoal com as atrocidades da 2º Guerra Mundial, pois o protagonista é um professor de história que está tendo pesadelos com esse momento histórico, aos fãs de ficção e viagem no tempo, é uma ótima recomendação. No prefácio o autor já afirma que nenhum ser humano deveria fugir do holocausto ou de seu significado. Desse modo, Cury logo nas primeiras páginas detona o sistema educacional que contempla técnicas e se esquece das emoções, deixando os alunos presos a números frios, quando estes significam vidas que foram perdidas.

Assim que o leitor começa o livro, é levado a um cenário de morte e desespero, a primeira página é um texto real de um observador que viu um extermínio judeu e é de tal horror e maldade que uma pessoa mais sensível provavelmente choraria. Nas páginas que se seguem, Augusto vai inserindo em meio a situações do cotidiano trechos horripilantes, mostrando como Adolf Hitler e os alemães foram colecionadores de lágrimas. O autor vai aos poucos explorando diversos pontos da crueldade humana, assim como, fazendo com que o protagonista reinvente suas aulas de história.

Numa trama que o real e o imaginário se confundem, é complicado saber se o professor está ficando maluco ou se todos os fatos realmente aconteceram e isso faz com que a leitura se torne muito mais emocionante e viva.

Cury também expõe o relacionamento do professor com sua esposa, Katherine, revelando doses de afeto e companheirismo, assim como, as crises que todos os acontecimentos inesperados provocaram, fazendo com que os personagens pareçam palpáveis e falhos. Assim, o psiquiatra também faz com que eles pareçam reais.

Júlio Verne, personagem principal e narrador, aos poucos se mostra mais do que um professor, ele é um ser humano excepcional com um grande aparato de inovação e compaixão, além de ser uma fonte de frases simples, porém emocionantes.

O psiquiatra explora durante o livro a mente de Adolf Hitler, revelando seu ego e as contradições que habitavam sua mente, assim como, o modo como ele seduzia com seus discursos calorosos. Ao que parece, o autor quer alertar os leitores sobre todos os líderes que são tidos como de boa índole quando no íntimo de seus pensamentos, tramam atos cruéis sem considerar os indivíduos que possivelmente se machucarão.

Em síntese, esse é o primeiro volume de uma história cativante, que faz com que você sempre termine um capítulo esperando o próximo.

Para finalizar, desejo que vocês tenham ousadia para se aventurar nessa história e deixo um trecho final, uma das várias frases marcantes do protagonista, um excêntrico professor de história.

[..] Muitos têm pernas, mas não sabem caminhar, têm liberdade para correr riscos, mas vivem no cárcere do medo. Não lhes falta musculatura, mas tem déficit de ousadia. E a ousadia não é falta de medo, mas a capacidade de dominá-lo. Você terá que ter ousadia para transformar limites em liberdade. “

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Categoria: +Autor, Ficção, Ficção Histórica, Romance

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