O Diário de Bridget Jones, de Helen Fielding

| 17 de abril de 2017 | 1 Comentário

Capa do Livro O Diário de Bridget Jones

Ah, Bridget Jones… Quais não são as lembranças que tenho em relação a esta personagem tão memorável? Sua trilogia de filmes é, para mim, a melhor entre as comédias românticas que já tive o prazer de assistir. Então, quando me mobilizei para ler o livro que deu origem a tais adaptações espetaculares, pensei: o que poderia dar errado?

Pois digo, meus caros: quase tudo.

Baseando-me na regra básica das adaptações cinematográficas, os livros tendem a ser mais detalhados, divertidos e completos que os filmes. Em outras palavras: melhores, mesmo. Assim, como já tenho um carinho enorme pelos filmes da queridíssima Bridget, dei início à leitura esperando nada menos que uma versão melhorada do enredo do filme, que já amo. Mas qual não foi a minha surpresa quando a animação inicial deu lugar a um sentimento bem diferente.

Para você que foi abduzido durante os anos 2000 ou simplesmente nunca ouviu falar dessa mulher, deixem-me atualizá-los. O Diário de Bridget Jones conta, em forma de – vejam só! – diário, o dia a dia de – vejam só, novamente! – Bridget Jones, moradora de Londres, bem resolvida (até a página 2, claro), na casa dos 30 anos blá-blá-blá. O clássico chick-lit, receita antiga para um livrinho morno e leve que nos deixa felizes pra continuar nessa existência cruel. Ou assim eu pensava.

A trama gira em torno de… na verdade, não sei. Suponho que seja em torno dos romances, das desventuras que os rodeiam e coisas parecidas. Mas na maior parte do tempo, a narrativa roda sem propósito, sem fluidez ou simplesmente sem nenhum assunto. Romance de verdade, como no filme, é uma mera pincelada no livro: parágrafos rápidos e de escrita preguiçosa.

Você deve estar pensando: ah, e se o romance não for o ponto alto da história, e se eu entendi tudo errado e o livro seria uma maneira de ressaltar a independência feminina e a força da protagonista? Acho que não. Bridget não evolui: ao início e ao final do volume, ela está presa aos mesmos dilemas, vícios e indagações de tal maneira que se trocássemos as páginas finais pelas iniciais, bastaria mudarmos alguns nomes e o ciclo se repete: problemas com homens, falta de autoconfiança e autoestima e nenhuma mensagem feminista de verdade.

Geralmente quando comparo livro/filme, ressalto as características deixadas de lado na adaptação. Porém neste caso, devo comentar o quanto o livro não se compara à qualidade ou ao roteiro do filme. Caso queiram honestidade, ousaria dizer que O Diário de Bridget Jones (livro) é uma versão insossa e inacabada da obra-prima do cinema de comédia romântica que é o filme. Além de várias cenas memoráveis simplesmente não existirem no livro – cenas que aí sim mostram a força e a evolução da protagonista -, tive de lidar com a decepção que foi ter perdido meu tempo com algo que eu esperava que fosse bom.

Algo inovador para mim é o que estou prestes a dizer agora: não leia o livro se você gostou do filme. Personagens adoráveis na versão para o cinema perdem um pouco do seu encanto e a espirituosa e divertida Bridget das telonas dá lugar a uma mulher chata e que não segue em frente. Faça um balde de pipoca e divirta-se de verdade.

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Ana Maluf

Não existe maneira de começar uma minibiografia sobre mim sem ressaltar o óbvio: amo ler. E estou aqui pois além disso, amo escrever sobre o que leio. Desde romances de época a fantasias e distopia ou livros de terror, a leitura tem sido parte de mim desde meus nove anos. E agora, com meus dezesseis, vivi muito mais do que isso através de páginas e de palavras. Espero que gostem!

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Categoria: Chick Lit, Comédia Romântica, Helen Fielding

Comentários (1)

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  1. Layla Magalhães disse:

    AAAAAAAAAAAAAAAAA
    adorei, Anita
    Já li, já vi o filme, mas resenha maravilhosa que nem essa só tô tendo a chance de ler agora. Adorei. E realmente e concordo com o “se você gosta do filme, não leia o livro”, apesar de amar os dois hahaha Bridget Jones mora no core que nem a Becky Bloom e a Ana Maluf e essa resenha fantástica.

    Parabéns, Anita. Cê é minha musa.

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