O Papel de parede Amarelo, de Charlotte Perkins Gilman

| 9 de janeiro de 2017 | 0 Comentários

    Nascida em meados do século XIX, Charlotte Perkins Gilman consolidou-se como um símbolo feminista por seus ideais e condutas não ortodoxos acerca da função da mulher na sociedade. E grande parte da icônica imagem que se formou entorno de sua pessoa é decorrente das 6000 palavras que formam o conto “O Papel de Parede Amarelo”.

Publicado pela primeira vez em 1891, após a recusa de inúmeras editoras, a obra traz os pensamentos de uma mulher afetada por distúrbios psiquiátricos. A narrativa é construída em formato de diário, sendo a moça doente tanto a protagonista quanto a narradora.

No entanto, não se deve resumir a obra como sendo apenas um relato fictício de alguém transtornado, já que o seu ponto de suma importância encontra-se na relação entre a narradora e seu marido, John, um médico cuja autoridade em casa era vista como inquestionável. Como a mulher estava padecendo psicologicamente, ele a leva para uma casa de campo, e nessa residência, a instala em um ambiente que, no passado, servira como quarto de brincadeiras. E é nesse cômodo que se encontra o objeto que dá nome ao conto: o papel de parede amarelo.

Tal adorno, encarado como somente mais um item material comum pelo marido e pelas empregadas, detinha toda a atenção da personagem, que passou a entreter-se cotidianamente observando o papel. Aos poucos, a ausência de simetria ou de qualquer espécie de padrões começa a perturbar ainda mais a mente da protagonista, que, apesar de pedir a John para retornar à cidade ou ao menos para habitar outro cômodo, tem suas queixas relevadas pelo esposo, o qual enxerga nela apenas uma criatura tola, cujas opiniões não devem ser levadas em consideração (expondo a situação de subjulgamento enfrentada pelo sexo feminino, na época e, infelizmente, ainda hoje).

Dessa forma, as 40 páginas que compõe a obra de Gilman vão muito além de um diário escrito por uma mulher enferma, constituindo um relato ficcional sobre a dominação masculina imposta em grande parte dos lares, e suas consequências físico-emocionais para as vítimas – uma prova da força da autira como “feminista” em uma época na qual esse termo não passava de utopia.

Minhas impressões sobre a obra:

Concordo com as opiniões de críticos contemporâneos que classificam o livro como essencial ao movimento feminista. O assombramento com um simples objeto do dia a dia, o papel de parede amarelo, envolve o leitor na trama, e a linguagem simples contribui para que a leitura possa ser feita em alguns minutos. Quanto ao desfecho, talvez justamente por se tratar de um objeto cotidiano, não deixa de ser estarrecedor, e capaz de levar o público à reflexão quanto à vida em outros tempos.

Escrito por Rafaela Zimkovicz.

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Rafaela Zimkovicz

Muito prazer, caro leitor. Me chamo Rafaela e a expressão "viciada em livros" poderia servir como meu sobrenome, já que descobri a magia dos livros aos 8 anos, e desde então, nunca parei de devorá-los. Espero conseguir expor-lhes ao menos um porcento da grandiosidade das obras literárias através das resenhas. Idade: 15 anos.

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Categoria: +Autor, Contos

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