O Quinze, de Rachel de Queiroz

| 18 de agosto de 2018 | 0 Comentários

Autora: Rachel de Queiroz

Editora: José Olympio

Páginas: 160

Sinopse: O Quinze foi o primeiro e mais conhecido romance da escritora. A história se dá em dois planos: um enfocando o vaqueiro Chico Bento e sua família; o outro, a relação afetiva entre Vicente, rude proprietário e criador de gado, e Conceição, sua prima culta e professora. Conceição é apresentada como uma moça amante dos livros e com tendências feministas e socialistas. O período de férias, ela passava na fazenda da família com a avó Mãe Nácia, no Logradouro, perto do Quixadá, onde morava seu primo Vicente. Com o advento da seca, a família de Mãe Nácia decide ir para cidade e deixar Vicente cuidando de tudo, resistindo.

No segundo plano, Rachel apresenta a marcha trágica do vaqueiro Chico Bento com sua mulher e seus cinco filhos, representando os retirantes. Ele é forçado a abandonar a fazenda onde trabalhava. Com algum dinheiro, mantimentos e um animal, ruma para o Norte, onde há a extração da borracha. No percurso, o filho mais novo morre envenenado e o mais velho desaparece. Ao chegarem no campo de concentração, são reconhecidos por Conceição, sua comadre, que vai lhes prestar ajuda. Rachel conseguiu exprimir os anseios e angústias da sua região brasileira.

O que eu achei do livro: 

Com o objetivo de ser a melhor (Não me julguem, sou uma pessoa obcecada por terminar livros rápidos) li O Quinze em um dia (Livro curtinho, minha professora leu em duas horas) e pude ver o porquê que a autora, Rachel de Queiroz, por meio deste livro foi a primeira escritora a entrar para a Academia Brasileira de Letras — Tipo, ela ganhou uma espécie de cadeira de ministra em um Brasil literário. Ela é muito TOP!

O Quinze é um livro que eu vou logo avisando, você não vai se divertir. Com personagens desgraçados pela seca e pela situação local vamos passando pelo cenário a partir de 1915, temos o desenrolar das vidas de pessoas diversas afetadas pela maior seca na história do Brasil.

Mas o livro não tem uma história sensacional.

Como ela entrou para a ABL com esse livro então? Rachel sabe escrever muito bem. Ao passar das páginas somos apresentados a personagens bem moldados, colocados perfeitamente no contexto da época que são tão interessantes quanto pessoas reais. Sentimentos e expressões também são o ponto forte da autora, fazendo uma história chata ser completamente lida. Jogos, com mudanças de pontos de vista em capítulos alternados e ao mesmo tempo em terceira pessoa foram muito positivos ao meu ver.

Existe uma tentativa da autora de dar um pouco mais de vida ao seus personagens criando uma espécie de romance entre primos que, pedantemente e ao mesmo tempo interessantemente nos faz terminar o livro com a motivação de descobrir qual o desfecho desse romance. O final, pra mim, foi um fiasco, mas eu não podia esperar melhor.

Uma coisa que também deve ser mencionada é a cronologia. O livro todo é traçado por marcações temporais, como datas de santos, estações do ano e outros, dando uma grande sensação de passar do tempo que te joga na história e você vive cada momento que o personagem passou, contando como mais um ponto em que a autora se destaca e sendo um ponto positivo que ajuda na minha leitura.

Agora, colocando os fatos na mesa, eu diria para ninguém ler esse livro. Não é a história em si que carrega o livro, mas sim o contexto em que os personagens estão havendo e suas ações. Sei que isso parece mais uma forma de dizer leia o livro, mas a história, além de todos os fatores que eu apresentei a maioria das pessoas o considera difícil de ler. Ele é bom e vai ganhar uma nota alta por isso, mas eu repito não leia.

Pontuação: 4/5

Rachel era filha de Daniel de Queiroz Lima e Clotilde Franklin de Queiroz, descendente pelo lado materno da família de José de Alencar.

Em 1917, após uma grande seca, muda-se com seus pais para o Rio de Janeiro e logo depois para Belém do Pará. Retornou para Fortaleza dois anos depois.

Em 1925 concluiu o curso normal no Colégio da Imaculada Conceição. Estreou na imprensa no jornal O Ceará, escrevendo crônicas e poemas de caráter modernista sob o pseudônimo de Rita de Queluz. No mesmo ano lançou em forma de folhetim o primeiro romance, História de um Nome.

Aos vinte anos, ficou nacionalmente conhecida ao publicar O Quinze (1930), romance que mostra a luta do povo nordestino contra a seca e a miséria. Demonstrando preocupação com questões sociais e hábil na análise psicológica de seus personagens, tem papel de destaque no desenvolvimento do romance nordestino.

Começa a se interessar em política social em 1928-1929 ao ingressar no que restava do Bloco Operário Camponês em Fortaleza, formando o primeiro núcleo do Partido Comunista. Em 1933 começa a ter dissenções com a direção e se aproxima de Lívio Xavier e de seu grupo em São Paulo, indo morar nesta cidade até 1934. Milita então com Aristides Lobo, Plínio Mello, Mário Pedrosa, Lívio Xavier, se filiando ao sindicato dos professores de ensino livre, controlado naquele tempo pelos trotskistas.

Depois, viaja para o norte em 1934, lá permanecendo até 1939. Já escritora consagrada, muda-se para o Rio de Janeiro. No mesmo ano foi agraciada com o Prêmio Felipe d’Oliveira pelo livro As Três Marias. Escreveu ainda João Miguel (1932), Caminhos de Pedras (1937) e O Galo de Ouro (1950).

Foi presa em 1937, em Fortaleza, acusada de ser comunista e exemplares de seus romances foram queimados. Em 1964 apoiou a ditadura militar que se instalou no Brasil.

Lançou Dôra, Doralina em 1975, e depois Memorial de Maria Moura (1992), saga de uma cangaceira nordestina adaptada para a televisão em 1994 numa minissérie apresentada pela Rede Globo. Exibida entre maio e junho de 1994 no Brasil, foi apresentada em Angola, Bolívia, Canadá, Guatemala, Indonésia, Nicarágua, Panamá, Peru, Porto Rico, Portugal, República Dominicana, Uruguai e Venezuela, sendo lançada em DVD em 2004.

Publicou um volume de memórias em 1998. Transforma a sua “Fazenda Não Me Deixes”, propriedade localizada em Quixadá, estado do Ceará, em reserva particular do patrimônio natural. Morreu em 4 de novembro de 2003, vítima de problemas cardíacos, no seu apartamento no Rio de Janeiro, dias antes de completar 93 anos.

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Emily Damascena

Em meio ao caos, ao mundo, ao exército de problemas e complexidades essa garota lê. É bem improvável ela não estar lendo ou escrevendo, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Divide o resto de seu tempo com Deus, livros, filmes, séries, cadernos, computador, cama, irmãs, trabalho e não perde uma oportunidade de fazer um belo bolo para a família.

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Categoria: +Autor, Aventura, Biografia, Drama, Ficção Histórica, Literatura Clássica, Literatura Nacional

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