Ossos do Clima, de André Souto

| 5 de Maio de 2017 | 2 Comentários

“- As maiores riquezas do mundo já foram o sal, o açúcar, o ouro, agora é a informação.”

Segundo os registros, Caio Sodré, recém-retornado do seu pós-doutorado na Harvard University, professor e especialista em climatologia, fora visto pela última vez na Biblioteca Central da Universidade de Brasília, onde o mesmo acabará de concluir, e entender, uma pesquisa a qual tinha dedicado muitos anos de sua vida. Mas, foi só após um grave incêndio criminoso, que deixou como vítima Bellini, um jovem secretário, que Alice Gianne se tornou ciente do desaparecimento de Caio, seu pai adotivo e tutor. A professora, que trabalhava em seu pós-doutoramento sobre o quão a ideia do aquecimento estufa é superestimado, passa então a investigar pistas e buscar informações que possam a levar até a única pessoa pela qual nutria uma reação cognitiva verbalizada, chamada amor. E envolvida com sua incessável missão, ela vai aos poucos descobrindo pontas soltas de uma história que compreende todo o mundo.

“ALICE, VOCÊ DEVERIA SABER… ENCONTRE OLIVER HERMAN.

“NÃO CONFIO NO MEU ARCO, E NÃO É A MINHA ESPADA QUE ME SALVA.” (SALMOS 44.6)”

Ao passo que ela avança, grandes nomes, ao redor do mundo são mortos de maneiras violentas, como Rômulo, que fora morto na banheira de sua casa. Casos aparentemente sem solução. Sem um nome por trás. Quem poderia fazer coisas assim? E por quê? Tudo isso estaria de certa forma ligado a Cúpula Mundial do Clima, que discutiria novos tratados mundiais relacionados ao aquecimento global? Ou seria apenas coincidência?  Uma informação poderia valer tantas vidas e tamanha quantidade de dinheiro?

“Quando as cinzas das hipóteses são tomadas como verdade, é preciso clarear os fatos.”

A princípio, nada está relacionado. Nenhuma das vítimas tem algo que as correlacionem, mas há algo que os une. Porém, o que? E com a sequência de assassinatos, quem irá restar para contar?

O livro trata do Aquecimento global de uma forma diferente, que prende o leitor no enredo. Faz-nos entender, os dois lados de uma grande discussão, que vai além de ficção: afinal, o planeta está se aquecendo, ou tudo não passa de uma farsa? Um golpe econômico? A discussão é real, embora o livro se trate de uma ficção. O texto tem doses certas de suspense e ação, me fez querer saber mais, buscar e conhecer de um assunto que não era tão comum para mim. Esse é um ponto positivo do autor e sua obra. Ele criou uma problemática em cima do que vivemos atualmente, encaixando personagens em sua trama. É impossível não sentir a história e toda sua dimensão.

Tênue chama de pavio; uma vela que queima junto do conhecimento humano, o qual regride feito parafina que se acaba. O passado é esquecido para que no futuro possa ser descoberto. Mera metáfora do pensamento daquilo que se faz segredo.” – Narrador.

Esse trecho, é como se inicia o livro. Me fez refletir e me apaixonar logo de cara. Afirma que, assim como uma vela, o conhecimento acaba, mas não se extingue, pois nenhum segredo fica guardado para sempre. Nem mentiras, nem verdades. Pois tudo que se esquece é novamente redescoberto.

“- O que seria da história senão uma busca pelas evidências, meu caro, pela verdade concreta, aquilo que não pode ficar oculto?” – Oliver Herman

Os personagens são muito bem compostos. Nos fazem, por vezes, questionar quem é o inimigo e quem está do lado certo. Alice Gianne, tem certo grau de autismo e alexitimia (dificuldade em expressar sentimentos), mas não haviam sintomas externos, nada possível de ser notado. Ela busca incessavelmente pela verdade, sem submissão ou conformismo. Diversos outros nomes entraram no enredo, à medida que as coisas avançavam. Como Amilton Vidal, um mercenário, que se envolvera em um assunto de grande importância e se viu no meio de um conflito que atravessa anos.

Philip Saduceu, é um homem respeitável. Herdeiro de uma grande organização comercial, dedicou toda sua fortuna as causas ambientais. Oliver, um senhor de idade, grande amigo de Caio, foi o encarregado por ele para ajudar Alice a enfrentar os problemas que estavam por vir.

A historia é narrada em terceira pessoa, e, sequencialmente, muda os cenários e as pessoas retratadas.  Isso me fez ter de voltar algumas vezes e fazer anotações, para tentar entender a trama, mas de forma nenhuma pode ser visto como um ponto negativo. Uma leitura assim, desperta interesse, surpreende. Primeiro, por não ser um tema ao qual eu dava tanta atenção, depois, por seu gênero. E enfim, pelo suspense que causa. O mistério que envolve tudo. Todos os nomes, personalidades e contextos. Tentei elaborar minhas próprias teorias, traçar relações, ou adivinhar o fim, mas fracassei de todas as formas possíveis e imagináveis (rs). Estou ansiosa para ler mais histórias de ficção, e claro, mais obras do autor, que na minha opinião, tem tudo para continuar nos impressionando. Fica a indicação do livro e a minha admiração. Uma leitura não tão leve, não tão simples, mas impressionante!

5/5

Leticia Melo

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Comentários (2)

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  1. André Souto disse:

    Sem dúvida alguma, você me fez extremamente feliz! Maravilhosa resenha, onde tudo o que desejava ao escrever esta estória foi observado por você, numa leitura perspicaz e aguçada! Muito obrigado!!! Um grande abraço, André Souto.

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