Paralelos, de Leonardo Alckmin

| 8 de dezembro de 2013 | 0 Comentários

Capa do Livro ParalelosLer livro de autor brasileiro é outra coisa.

Paralelos, Editora Geração, conta a história de irmãos gêmeos que sofrem um grave acidente rodoviário, Alexandre morre e Vitor milagrosamente se salva. Ao morrer Alexandre descobre que ele deveria estar vivo e seu irmão morto, um erro que coloca todo o universo em perigo. A partir de então se desenrola uma corrida contra o tempo (ou não, quem leu o livro vai entender!).

Confesso que sou muito rigorosa quanto à narração de livros. Penso que se é para ser narração em terceira pessoa ela deve ser completa, ou seja, o narrador tem que contar vários ângulos da história, descrever pensamentos e principalmente focar em vários personagens. Penso que um ponto de vista durante todo o livro é característico de personagem-narrador, ou seja, narração em primeira pessoa. Paralelos é um livro o qual o narrador usa toda sua onisciência: conta a história de vários ângulos, foca em vários personagens e conta diversas histórias.

O livro é divido em três partes e essas três partes são muito bem marcadas. E o autor, Leonardo Alckmin, usa da narração para diferenciar essas etapas. Para montar o “mundo” de Paralelos, Leonardo optou por abordar um assunto complexo e que, para muitas pessoas pode ser chato ou incompreensível. Criou um mundo pós-morte abordando física, química, religiões e filosofia de uma maneira fantástica, tudo foi muito bem amarrado de uma forma que você acaba acreditando que é assim mesmo que acontece. A segunda parte do livro se concentra mais nessas explicações quebrando vários paradigmas.

A minha expectativa geral da história era por uma batalha entre céu e inferno, bem e mal, que Alexandre ia ressuscitar ou algo do tipo, mas não. Nada disso aconteceu, caiu no relativismo, não que isso foi ruim. Devido ao assunto complexo depois de algumas páginas a história ficou chata e arrastada. Eram tantas leis de física que lá pelo meio do livro fiquei me perguntando se o autor era físico ou algo do tipo, pois havia uns detalhes que, bom, eu jamais entenderia. O escritor soube usou de maneira brilhante assunto de religiões e filosofia. Dá para tirar umas lições muito boas. Leva-nos a refletir, não é só aquela tietagem de histórias que não dizem nada, mas como tem um forte apelo comercial fazem sucesso.

Porém teve uma parte que eu lamentei muito. Os capítulos destinados ao personagem principal, Alexandre, são todos em primeira pessoa, fazendo um parêntese, achei muito importante, pois destoou de uma forma positiva dos outros personagens, além de dar um foco especial ao personagem principal do livro em meio a tantas histórias. Na última parte a narrativa dele continua, mas não mais em primeira pessoa e isso me deixou bem chateada. Ao longo da leitura eu entendi porque, só que, as partes mais legais do livro eram quando Alexandre contava sua versão. Ele é um personagem querido, espirituoso, consegue fazer piada da sua própria desgraça, é um adolescente de 17 anos que ama seu irmão e fez e faria de tudo para salvá-lo. Senti falta da narração do Alexandre no final.

Falando em final, assim como a primeira parte foi uma introdução para a história, à segunda parte foi mais como um desenvolvimento explicativo para o final do livro. Achei o fim razoável, porém não foi isso que me chamou atenção. Nos últimos tempos tenho lido muitas sagas e, como sabemos sagas sempre deixam um gancho para um próximo livro. O final de Paralelos é final mesmo! Tinha me esquecido a sensação de ler um fim de história bem escrito, que dá rumo em todos os personagens, sem deixar arestas soltas.

E ler livro de autor brasileiro é outra coisa porque eu entendi os agradecimentos! Não que eu seja burra, mas nem tudo se consegue traduzir em um livro e isso se reflete mais nos agradecimentos. Normalmente os autores usam gírias e frases que para nós não há equivalentes, fora aqueles nomes esquisitos, não de pessoas, mas de empresas, sites, blogs e lugares que normalmente não são traduzidos.

Valeu a pena o investimento nesse livro.

Resenha feita por Camila Dorneles.

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Categoria: Aventura, Literatura Nacional, Romance

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