Sete minutos depois da meia noite, por Patrick Ness

| 22 de fevereiro de 2017 | 13 Comentários

 

Gente, esse livro… Ah esse livro! Este mês estou participando de um desafio literário cujo tema é fantasia, e como não tenho o hábito de ler sinopses antes de ler o livro (pois gosto do elemento surpresa), pelo conjunto título e capa, julguei ser este um livro enquadrado neste gênero. Contudo, a trama me surpreendeu positivamente, ainda que não se trate de uma fantasia. Poderia dizer que se assemelha a uma fábula, devido à mensagem moral implícita, não fosse pelo teor dramático e arrisco dizer enigmático da narrativa. Quando digo enigma, não me refiro a história em si, pois se tratando o enredo de um tema fatalista, é impossível não inferir o que acontece no desfecho, mas, em relação ao destino do protagonista, um garoto de 13 anos de idade, chamado Conor O’ Malley. Na trama O’ Malley, tem que lidar com dois tipos de “monstros”.

Sete minutos depois da meia noite, é sem dúvidas o livro mais lindo que li depois de “Dançando sobre cacos de vidro”, a história tem um tema denso, principalmente por se tratar do amadurecimento por meio do sofrimento de um garotinho de treze anos. Durante o desenvolvimento do livro, vamos acompanhando Conor O’Malley, perder sua inocência infantil, ao ser obrigado a encarar a vida de forma adulta precocemente.

A narrativa é em terceira pessoa, em uma construção linear sem grandes reviravoltas, é ainda bem simples, mas de uma sensibilidade incrível, o que torna a leitura fluida. No enredo existem várias discussões, entre elas: Câncer, a morte como fatalidade, rejeição, bullying, mentiras e desconstrução familiar.

Embora seja uma história rápida, o livro é dividido em capítulos, trinta e dois, para ser mais exata, sendo que todos têm subtítulos, de acordo com o desenvolvimento da narrativa. Destaque pessoal, para os capítulos 8, 11, 15, 23 e 28. Nesses capítulos se concentra o núcleo da trama. O capitulo 11 por sua vez, intitulado: “A conversinha”, me tocou muito, devido à escolha negativa dos personagens adultos, em omitirem a veracidade dos acontecimentos ao garoto Conor, que embora adolescente, sabe exatamente o que se passa, o que contribui para que sofra ainda mais por não poder compartilhar seus medos e anseios com quem deveria ser sua família. Os outros capítulos destacados discorre-nos a interação do protagonista com os “Monstros”, e concomitantemente com seus pais, avó, professores e colegas de escola.

A grande sacada no contexto vivido pelo personagem protagonista é a relação que ele tem com os “monstros”, de um dos “monstros” ele tem muito medo, se desespera quando ele o aterroriza, já o outro “monstro”, por mais que tente, não consegue assustar Conor, que luta para conseguir enfrentar a situação com muita bravura. Durante a trama Conor e o Monstro Teixo travam diálogos fantásticos, muitas vezes incompreensíveis em primeiro momento, as situações relatadas pelo monstro contador de histórias, nos soam injustas, mas que colaboram para o crescimento da narrativa, e principalmente para o desenvolvimento de Conor.

Como mencionei no inicio o livro nos trás uma mensagem implícita, a de que todos temos problemas e situações difíceis na vida, em que devemos aprender como lidar, algumas conseguimos resolver com ações e mudanças de posturas, outras se resolvem com o tempo e há ainda as que não encontram resoluções (as fatalistas). Notei ainda, nesta obra, que existe em seu pano de fundo um teor pedagógico norteado pela psicologia infantil, que traduz-se na explicação de que é preciso aprender a aprender a conviver com as adversidades e desafios que a vida nos impõe.

O livro tem ainda, algumas peculiaridades, seu titulo original é A monster Calls, e também tem uma edição (por outra editora) fiel ao título em inglês, que traduzido, intitula-se: O chamado do monstro, essa edição é ilustrada. A obra ganhou uma adaptação cinematográfica, e o autor Patrick Ness, adaptou a história a partir da ideia de outra autora falecida em 2007, Siobhan Don, a quem dedica este livro.

Enfim, para fechar com chave de ouro, o final é um dos mais lindos que já li na vida e me fez quase desidratar de tanto chorar… simplesmente sensacional, super recomendo.

Por Roberta Galdino 

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Roberta Galdino

Paulista, pedagoga e louca por livros!!!

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Categoria: Drama

Comentários (13)

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  1. Andrea disse:

    Amiga parabéns amo suas resenhas… quero emprestado este livro heimmm hahaha
    Bjos tudo de bom😘😙

  2. Cassia disse:

    Amiga linda te admiro cada vez mais!
    Vc faz resenhas como niguem!
    Parabéns!
    Adoro ler todas as suas resenhas.
    Beijo

  3. LUCIANO OLIVEIRA disse:

    Gostei da resenha, mais um pra lista.

  4. Fernanda disse:

    Resenha inspiradora, me deu até vontade de ler o livro rs… Muito bom!

  5. Denise Raquel disse:

    Amei a resenha, me deixou com muita vontade de ler esse livro. Já coloquei na lista.

  6. Marli Bonventi disse:

    Excelente.. depois dessa resenha com toda certeza será a minha próxima leitura.. fiquei curiosa..

  7. Teresa Syllos disse:

    Amiga, suas resenhas são sempre sensacionais! E essa então, é top! Amei!!! Parabéns 👏👏👏👏👏

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